Terça-feira, 13 de abril de 2021
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Opinião Derik Bueno

O futebol precisa ser paralisado no Brasil?

Essa pergunta tem levantado muitas opiniões nos últimos dias. O sim e o não andam juntos, não é mesmo? São diversos os pensamentos, a favor, contrário. E, tudo depende do ponto de vista. 

Não é fácil parar novamente o esporte que é considerado uma paixão nacional, que leva muita alegria e vibração positiva. Se parar, muitos profissionais podem perder o emprego, a única renda familiar. Se continuar, muitos podem entrar para a estatística de mortes, contaminados, internados ... Como é difícil isso!

O futebol não é feito apenas de jogadores. Nos bastidores, milhares de profissionais dão a vida todos os dias. São treinadores, massagistas, roupeiros, funcionários internos dos clubes. Na grande maioria, a remuneração é bem baixa. Jogadores de clubes menos expressivos recebem, em média, um salário mínimo, ou seja, R$ 1.100. 

Tudo bem, estamos num momento crítico, onde milhares de pessoas têm perdido a vida. Mas como falar para esses profissionais que eles não terão no fim do mês o valor para poder colocar a comida na mesa, pagar as contas básicas (água, energia). 

Uma fala do goleiro Marcão, do Sergipe, na noite de terça-feira (16) repercutiu bastante, e fez o país refletir. O jogador expôs a sua opinião, se colocando como exemplo e também citando os companheiros que vivem a mesma situação. 

- É muito delicado falar isso. Quem tem um salário alto, está na primeira ou segunda divisão e recebe em dia é muito fácil falar para parar o campeonato. A gente que joga uma Série D, tiveram jogadores que no ano passado passaram fome, famílias que passaram fome, se não fosse a ajuda de outras pessoas. Eu sei que é uma situação delicada para o país, lamento pelas mortes que estão acontecendo. A gente torce para que a vacina chegue logo, que possa liberar o público no estádio, mas eu não concordo com a paralisação do campeonato em si.

- Tem muito jogador de time pequeno que precisa muito disso aqui. E não só jogador não, tem muita gente envolvida no futebol, que são os funcionários do clube, roupeiros, massagistas, que ganham pouco e precisam disso. Ano passado a gente passou por uma situação de quatro meses sem receber salário. Quem está em time grande ganha R$ 100, R$ 150 mil e consegue manter isso tranquilo, mas e nós? Nós que ganhamos aqui pouco mais que um salário mínimo sofremos muito mesmo - acrescentou

- É uma situação delicada no país, e a gente só torce e ora para que isso acabe logo. Uns vão defender, outros não vão, mas só quem está vivendo a situação em si sabe a situação que a gente passa – finalizou.

Uma observação que não pode passar em branco, o time de Marcão foi a campo sem nove jogadores titulares e o treinador. Todos testaram positivo para a Covid-19. Mesmo assim foram a campo em busca do objetivo: vencer, passar de fase e levar a cota R$ 675mil. Isso não aconteceu, o jogo terminou em 0 a 0, o por conta do regulamento da competição, o Cuiabá avançou. 

É extramamente complicado dar a seguinte resposta: sim, o futebol precisa parar.
É muito difícil responder: não, a bola tem que continuar rolando. 

O Brasil está bem perto de bater a marca de 3 mil mortes diárias em decorrência da Covid-19. Em oito estados, os estaduais estão já foram paralisados. Se a decisão ocorrer em efeito dominó, para todo o país (e outras atividades econômica também pararem), milhões de brasileiros vão perder a vida em decorrência, principalmente, da fome. 

Estamos vivendo o verdadeiro caos e a única esperança desse pesadelo chegar ao fim será com a vacina.

Derik Bueno

Derik Bueno
Jornalista formado na Universidade de Cuiabá. Atualmente atua na área esportiva e trabalha como produtor do Globo Esporte, repórter do ge.globo/mt. Foi repórter do SBT Cuiabá (TV Rondon) e da Record Cuiabá (TV Vila Real), além de ter atuado em sites de notícias. 
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